
Parque Nacional do Itatiaia. (foto: Arquivo Webventure.)
Estava lendo um comunicado do chefe do Parque Nacional do Itatiaia – PNI – que relatava mais um incêndio no parque. O incêndio ocorreu no último dia seis, no Vale do Aiuruoca, na parte mineira do PNI, com destruição de 10 hectares de Mata Atlântica.
O incêndio foi debelado somente no dia seguinte com a ação da Brigada do PREVFOGO do PNI, juntamente com o helicóptero da Helisul. Ainda diz mais, talvez o incêndio tenha sido criminoso, executado por pessoas que andam extraindo uma espécie florestal denominada candeia, em 09 de maio, esses infratores tiveram apreendidas 110 achas de candeia, não tendo sido presos, pois evadiram-se do local.
É muito triste ver que, apesar de inúmeras ações do PNI após o grande incêndio do ano passado, quando dois jovens ao acender uma fogueira provocaram incêndio em uma imensa área ( veja coluna de agosto/2001), não se conseguiu minimizar o problema principalmente no período da seca.
Madeireiros – Os cortadores de madeira invadem, comprometendo ainda mais a vegetação do parque, e a fiscalização não consegue dar cartão vermelho para essas pessoas que vêm ao parque apenas para destruí-lo. Talvez seja necessário um orçamento bem maior para que a direção do PNI possa exercer efetivo controle e fiscalização das áreas não só de visitação, mas de toda a área abrangida pelo parque, além de possibilitar uma real autuação dos infratores.
E, considerando que muitas vezes os visitantes desconhecem o que são as áreas protegidas, seria necessário que os próprios agentes, além de cobrarem ingressos e solicitarem que os visitantes preencham uma ficha onde se diz que escalar é uma atividade de risco e que necessitaria um condutor habilitado para guiá-lo, pudessem estar falando com as pessoas sobre as normas de conduta consciente em ambientes naturais.
Da mesma forma quando do incêndio do ano passado, como professora que sou, prefiro o trabalho educativo que evita a tomada de medidas drásticas, ou melhor, que pode evitar tantos incêndios a serem apagados, tanta vegetação destruída.
Surpresa – É por isso que foi uma agradável surpresa encontrar nos fins de semana do mês de julho, dois representantes da FEMESP e dois da FEMERJ – Federações de Montanhismo de SP e RJ – na portaria da parte alta do Parque, fazendo um verdadeiro trabalho de corpo a corpo com todos os visitantes, conversando e distribuindo o folheto que fala sobre Excursionismo do Mínimo Impacto – Conduta Consciente em Ambientes Naturais – do Programa Nacional de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente.
Atitudes louváveis como essa de união das duas federações, do trabalho educativo, ao lado do controle do número de visitantes, podem fazer muito para que as gerações atual e futura tenham a possibilidade de caminhar, escalar e apreciar a beleza ímpar da região.
Você também pode ajudar, não fazendo fogueiras, não jogando resto de cigarro aceso no chão, andando apenas nas trilhas já abertas, trazendo todo o lixo que você produzir e avisando aos agentes do parque sobre toda e qualquer conduta de pessoas menos educadas que possa danificar de alguma forma o ambiente natural em que você estiver.
Este texto foi escrito por: Helena Coelho
Last modified: julho 23, 2002