
Barco teve custo total de 70 mil euros (foto: Divulgação/ Maristela Colucci)
Os velejadores Beto Pandiani e Igor Bely preparam a segunda etapa da Travessia do Pacífico, viagem que foi interrompida em Mangreva, na Polinésia Francesa, graças ao travessão do catamarã que quebrou em alto mar e da temporada de furacões que passa pelo oceano nesta época.
Os dois embarcam dia 16 de março de volta à Polinésia, de onde seguirão para Papete, capital do Taiti, local onde a aventura recomeçará e terá como objetivo Brisbane, na Austrália, com previsão de chegada na metade de julho.
Mas a primeira parte da viagem já levou muita emoção para a vida dos velejadores, que partiram de Ilhabela rebocando o barco até Viña del Mar, no Chile, numa viagem de quatro mil quilômetros, para de lá partirem oceano adentro em duas longas pernas de 18 e 13 dias em alto mar, sem pausas.
Tivemos problemas nos painéis solares, nas caixas de leme e no travessão, mas se tivesse saído tudo certo as pessoas iam pensar que é fácil fazer essa travessia. Só quando as coisas dão errado é que, geralmente, dá-se valor para a dificuldade, comentou Betão.
Mas as adversidades não tiraram a emoção da viagem. Ver a Ilha de Páscoa no horizonte foi uma emoção insubstituível, disse Pandiani.
O catamarã sem cabine que levou os dois do Chile à Polinésia não tem qualquer recurso para eles dormirem, a não ser duas abas nas laterais do barco onde é montada uma barraca. Os velejadores têm de ser manter amarrados, com colete salva-vidas e com sinalizadores de segurança no bolso.
Como eu sou grande, eu ficava pra fora da minha barraca. Já o Igor conseguia entrar completamente na barraca e eu não conseguia vê-lo durante a noite. Então sempre dava um grito pra ele durante a madrugada pra saber se ele ainda estava lá e não tinha caído no mar, explicou Beto Pandiani. O espírito é esse mesmo, um cuidar do outro, concluiu.
Leis do Mar – A vida em alto mar é imprevisível. Nunca se tem certeza das condições da maré e o que se pode encontrar pela frente, e por isso entre Beto Pandiani e Igor Bely há a Lei do mais Inseguro. Quem está mais inseguro é quem decide, ou seja, se eu quero sair para o mar num dia e o Igor está inseguro com relação a algo, ele decide pela nossa permanência, explicou o velejador.
O barco Bye Bye Brasil custou 35 mil euros aos velejadores, que gastaram o mesmo valor para fazer as adaptações nele.
Igor Bely sempre viveu no mar, já que sua família é de velejadores e ele é acostumado com longas viagens através dos oceanos com pais, irmãos e os gatos que os acompanham, mas Pandiani tinha uma vida bem diferente antes de cair nas graças dos mares. Ele velejava por hobby, mas era empresário da noite paulistana. A noite me ensinou muita coisa que eu levo para o mar hoje, mas precisava de algo que me motivasse mais, conta.
Os dois dizem estarem satisfeitos com a dupla formada, mesmo com algumas diferenças, eles se consideram velejadores com a mesma linha de pensamento. No barco chegou um dia que eu lia o livro Longo Caminho e o Igor estava lendo O que eu estou fazendo aqui?, contou Betão aos risos. Mas nós temos o mesmo estilo de avaliar os riscos. Somos igualmente conservadores, completou.
Pandiani disse ainda que não pretende fazer viagens com mais pessoas e que já tem idéia do que pretende fazer após chegar da Travessia do Pacífico: ir da Austrália para a África numa travessia do Índico Sul, e com um barco de 20 pés contornar as Américas até o Alaska.
Este texto foi escrito por: Lilian El Maerrawi
Last modified: março 28, 2008