
Acampamentos do Everest ficarão lotados nos próximos meses (foto: AndrewBrash/Everestnews)
A escaladora brasileira Cleo Weidlich estará no Everest na temporada 2010, como guia de montanha em um projeto ambiental, nos próximos dois meses. Nascida no Amazonas, Cleo fará parte do grupo Eco Everest Expedition, que não só trará de volta todos os resíduos e equipamentos de sua jornada, mas também recolherá parte do lixo deixado nos acampamentos por outras expedições, durante seu retorno. A ação aumenta o peso de cada escalador na descida, assim como a dificuldade e os riscos.
A empreitada deve durar em torno de 60 dias, com a tentativa de escalada no Everest, a maior montanha do mundo com 8.884 metros, e o pico vizinho, Lhotse, quarta maior montanha, com 8.516m. Cleo tem no currículo algumas escaladas de sucesso nos maiores picos do planeta. No início do mês voltou de uma ascensão em solitário no Aconcágua (6.962m), na Argentina, e na temporada passada foi a primeira brasileira a escalar o Cho-Oyu (8.201m) sem o auxílio de oxigênio suplementar.
A Eco Everest Expedition é liderada por Dawa Steven Sherpa, e terá também o recordista em escaladas realizadas na montanha, o nepalês Apa Sherpa, que irá para sua vigésima vez no cume. Além do recolhimento de lixo e detritos, a equipe também carrega equipamentos menos poluentes. O foco será escalar de uma maneira ecologicamente correta, trazendo de volta o lixo e dejetos humanos para o despejo em locais apropriados. Iremos utilizar soluções como cozimento via energia solar e sistemas ecológicos de purificação de água. O plano deste ano é trazer de volta materiais de outras expedições, deixados a 6.500 metros de altitude, e abaixo disso, explicou Ang Tshering Sherpa, membro da expedição. O Sherpa afirmou ainda que o objetivo do grupo é trazer sete mil quilos de detritos dos acampamentos.
Com o sucesso na expedição, Cleo se tornará a segunda brasileira a chegar no topo do Everest, e a primeira e escalar os dois picos vizinhos na mesma temporada. A médica Ana Elisa Boscarioli foi a primeira escaladora nacional a chegar no topo do mundo, em 2006. (Veja Mais)
Além de Cleo, o escalador brasileiro Manoel Morgado também está em um novo desafio pela maior montanha do mundo. Depois de dar início ao seu projeto social no vilarejo de Tapting, no Nepal, Morgado começou nesta sexta-feira seu 44º trekking até o acampamento base do Everest.
Vamos guiar um grande grupo, 24 pessoas que quiseram nos acompanhar ao campo base. Antes de iniciar a escalada ao Everest, no dia 10 de abril, vou subir mais uma vez o Island Peak como parte do meu processo de aclimatação. Os 6.200 metros desta bonita montanha, poucos quilômetros ao sul do Everest, me darão a aclimatação necessária para dispensar uma das muitas subidas ao primeiro acampamento, disse. Morgado levou mais de um ano na preparação para esta escalada, e contou todos os detalhes em seu blog no Webventure
Atualizações da montanha – Com a temporada de escaladas pelo Everest aberta, a preparação dos acampamentos na base já está sendo feita. Segundo o líder de controle da expedição Altitude Junkies, Phil Crampton, as tendas estão sendo montados pela equipe de Sherpas.
Chegamos na última terça (23) no campo base. Passaremos a próxima semana na construção da cozinha e nivelando as plataformas de tenda para diversas funções, entre elas o local do jantar, as bases de comunicação e saúde, além das tendas de armazenamento. Os Sherpas vieram de diversas expedições que aconteceram e, aos poucos, irão transformar o local em uma verdadeira aldeia de tendas, contou.
Já o grupo IMG investiu pesado na quantidade de carregadores. No total, teremos 42 Sherpas escaladores e um time de dez cozinheiros Sherpas trabalhando para nós. Agora sim estamos com uma força humana séria, comentou o chefe da expedição, Eric Simonson.
Mesmo podendo receber toda essa ajuda, alguns escaladores procuram desafios ainda maiores. Esse é o caso do espanhol Josu Ortubay, que tentará subir o Everest sem nenhum apoio ou acampamento fixo, baseando-se apenas em sua logística.
Não quero ajuda. Eu entendo que as chances de chegar até o cume nessas condições são menores, mas, para mim, a maneira como você escala é muito mais importante do que o lugar onde você escala. Nem tudo funciona, explicou o espanhol, que já escalou nos Alpes, nos Andes, na região do Tien-Shan, com picos de até 7.439m e o Cho Oyu.
Este texto foi escrito por: Da Redação
Last modified: março 27, 2010