O alpinista brasileiro Waldemar Niclevicz começa hoje a caminhar em direção à base do K2 – a segunda maior montanha do mundo (8.611m), conhecida como “montanha da morte” – as estatísticas indicam uma vitima fatal para cada dois êxitos. Até hoje, apenas 122 alpinistas completaram a escalada ao K2 e 53 morreram na tentativa. Se houver sucesso nesta expedição, Niclevicz será o primeiro brasileiro a chegar ao cume do K2.
No começo desta semana, o alpinista já conquistou outro feito inédito para o país, chegando ao cume do Gashebrum (8.035), vizinho ao K2, a 14ª maior montanha do mundo. O tempo mudou quando ele, Abele Blanc e Christian Kunter alcançaram o topo, provocando uma decida arriscada. “Começou a nevar forte e a fazer mais frio, quanto mais a gente descia. Chegamos cansados no acampamento 3, e a nevasca
continuou por toda a noite. Quase não dormimos, preocupados com a descida
até o acampamento 1 e com a possibilidade de alguma avalanche cair sobre a
nossa barraca. Quando começou a clarear, às 4 da manhã, pela primeira vez
tentamos sair da barraca, mas foi impossível. Todo acampamento estava
sob uns 30cm de neve, com rajadas de vento entre 50 e 60Km/h. O pior era a
falta de visibilidade, não conseguíamos ver nada além dos 10 metros”, comenta Niclevicz, diretamente do Paquistão.
Atolados na neve – “Lá pelas 6 da manhã eu e Abele conseguimos sair e começamos a procurar a ponta da corda fixa que nos levaria a salvo para baixo. Encontro a ponta da corda sob uns 40 cm de neve. Parecia loucura descer com aquele tempo, mas a tempestade era típica de muitos dias (está nevando até agora), e ficar suspenso naquela barraca a 7
mil metros poderia ser fatal”, explica o alpinista. “Então fomos realizando uma série de descidas pelas cordas fixas, numa parede entre 30 e 60 graus de inclinação. O vento, furioso, nos cegava A própria neve que acabava de cair, se desencadeava em pequenas avalanches sobre os nossos pés. O vento e a neve apagavam rapidamente qualquer pegada e escondiam novamente as cordas. Até o local do acampamento 2, a 6.500m, foi uma aventura das maiores que já vivi.”
Agora Niclevicz acredita que terá cerca de 25 dias até o cume do K2. “Ontem era o dia previsto para que viessem os carregadores para o nosso translado ao base do K2, ou seja, teoricamente, já estamos atrasados. Tenho um bom pressentimento que teremos bom tempo na próxima lua cheia, dia 28, quando pretendo fazer nosso ataque final ao K2.”
Este texto foi escrito por: Webventure
Last modified: julho 13, 1999