Desde os primeiros campeonatos paulistas lá no SESC Ipiranga, em 1994, até hoje, já fui atleta de competição, fiz escaladas em rocha, e expedições de alta montanha. Em 1998, passei de atleta para empresário da escalada. Deixei de pedir patrocínio para recusar as milhares de propostas que recebia diariamente dos ex-companheiros que, assim como eu, queriam equipamento, grana, passagens, inscrições e além de tudo treinar na faixa aqui na academia.
Os anos se passaram, vimos alguns atletas com bons patrocínios (entenda “salário”), o que nunca durava muito. Vi atletas que se entitulavam apoiados por tal e tal marca, ou seja, ganhavam uma camiseta e um par de sapatilhas e corriam felizes para as vias.
Vi atletas quase que se leiloando antes da competição: era só dar a camiseta mais legal e ser o mais novo patrocinador deles no evento… Veja bem, somente em um evento pois, se no próximo uma outra marca fosse mais interessante, automaticamente ele seria patrocinado por aquela.
Mudou de idéia? – Será que o atleta não percebe, o patrocinador não percebe, ou pior, o público não percebe a quase que prostituição do patrocínio? Não é porque eu visto uma marca e atuo com unhas e dentes para ganhar um título com aquela camisa que eu acredite aquele ser o melhor fabricante do mundo. E se no ano seguinte eu mudar de patrocinador? Isso quer dizer que agora eu mudei de idéia e a marca do ano passado era mesmo ruim e a deste ano é que é boa?
Recentemente assistindo ao Mundial de escalada na Itália pude conversar com os atletas de lá e pasme… Com raríssimas exceções, mesmo os atletas de ponta precisam complementar seus orçamentos com empregos de meio período. Esta imagem de que os “gringos” vivem de patrocínio é completamente equivocada.
Relacionamento – A maturidade do mercado europeu ou americano já ensinou aos atletas e patrocinadores que o que importa não é o resultado em uma competição, mas sim a relação que se cria entre eles ao longo dos “anos”. A fidelidade do atleta à marca, a simpatia deste atleta com o público, seu carisma, sua contribuição à imagem do fabricante vale mais que um lugar alto do pódio.
Se você é atleta, lembre-se de tirar fotos de suas viagens, falar de seu patrocinador, distribuir autógrafos… É, autógrafos sim, qualquer gringo pé-de-chinelo dá autógrafo, a gente só por que é brasileiro não pode?! Escreva colunas ou matérias sobre seu esporte, esteja sempre animado, cative seu público, seja fiel à sua marca, esteja presente nos eventos de seu patrocinador e por último – e se possível – ganhe!!!
Este texto foi escrito por: Alê Silva (arquivo)
Last modified: dezembro 16, 2002