Claudio Ambiel comanda o Pelicano (foto: Thiago Padovanni/ www.weventure.com.br)
Direto de Petrolina (PE) – Pelicano na escuta, prossiga! Esta é a frase mais ouvida na freqüência de rádio do Rally dos Sertões. Pelicano é o codinome do comandante Cláudio Ambiel, que pilota o avião que dá suporte à comunicação da prova.
Pelo 10º ano consecutivo, Cláudio pilota o monomotor Cessna Sky Rock. A minha função é a comunicação. Faço pontes de rádio e cuido da área de segurança. Por exemplo, um veículo teve algum problema ou sofreu algum acidente, aciono as equipes médicas para efetuar o resgate, explica. Mas sua função vai muito além disso, já que ele consegue se comunicar com, praticamente, 100% da prova.
Tudo começou em 1999, quando Marcos Ermírio de Moraes, presidente da Dunas Race, organizadora do Sertões, viu que era possível fazer a comunicação quase integral da prova utilizando-se de aeronaves. Mas como apenas um avião era pouco para cobrir todo o percurso da prova, foi a partir daí que entrou a segunda aeronave, comentou Ambiel, de 48 anos.
A rotina diária de vôo dura, em média, oito horas, com uma parada para abastecimento. Além do Pelicano, a prova possui outro avião, o Falcão, pilotado pelo próprio Marcos. Geralmente ele decola mais cedo e o Pelicano vai em seguida.
A equipe técnica da prova que fica espalhada ao longo do percurso, alguns carros de imprensa, largada, chegada, médicos e todos os pilotos têm acesso à freqüência de rádio da prova. É através dela que os PCs informam a posição dos veículos e os pilotos podem informar sobre algum acidente. Toda a informação chega aos meus ouvidos e filtro o que pode ser passado adiante. Se for passado tudo o que chega a nós fica inviável, uma confusão, comenta.
Durante o vôo, é raro o rádio não ficar em silêncio por mais de um minuto. Conforme vão chegando as informações, Cláudio as repassa, pois seu alcance é muito maior do que os veículos em terra.
Origem do nome – Desde que a prova teve o segundo avião para fazer a comunicação, Cláudio é o comandante da aeronave. Muitos nem conhecem seu rosto ou sabem seu verdadeiro nome, mas todos já falaram com o Pelicano.
Uma das aeronaves que utilizávamos anteriormente chamava-se Pelican, um avião canadense montado no Brasil. Passou para Pelicano e ficou. Já troquei de avião, mas o nome permanece, já virou apelido, explica o piloto.
Aqui no rali deixo minha profissão de lado para encarar os ares. Engenheiro mecânico e empresário em Indaiatuba, interior de São Paulo, Cláudio não trabalha exclusivamente como piloto, mas tem no hobby um grande prazer. É fácil fazer algo que gostamos. Gosto muito de voar e sou rádio-amador há muitos anos, então não tenho problema nenhum em comunicação de rádio e gosto muito de rali e dessa movimentação. Então fica muito fácil, então faço o melhor que posso, comenta o piloto, que voa há 29 anos.
Este texto foi escrito por: Thiago Padovanni