
Abraço final mostra a união na Lontra (foto: Lígia Nunes)
Vice-campeões em 99, eles repetiram a dose. Só que, desta vez, a Lontra Radical foi a melhor brasileira entre as 32 equipes que disputaram a Expedição Mata Atlântica 2000. O segredo? Regularidade e união, responde a atleta Sabrina Majella, que não estava no time em 99 mas foi a companheira de Vítor Teixeira e Luís Antonio Barbosa nas provas do Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura.
Em entrevista à Webventure, Sabrina revela o momento mais difícil para a equipe na prova, as desvantagens da mulher numa corrida de aventura e responde à pergunta inevitável: quando é que o Brasil vai ganhar a EMA?
Webventure – Na chegada, você destacou a solidariedade e a união da Lontra Radical e a felicidade por ter ajudado a equipe a conquistar o segundo lugar. Essa “solidaridade” se refletia em que tipo de ações: conversas, paradas para o companheiro que se cansava mais…?
Sabrina Majella – A gente sente quando o companheiro está cansado… Eu mesma não estava agüentando subir um trecho muito íngreme de bike e ainda tinha um inseto rodando sobre a minha cabeça. Aquilo me deixou tão nervosa que eu comecei a chorar. Na mesma hora o Vítor e o Luís passaram um cabo pela bicicleta e me ajudaram. Me senti muito tranqüila depois disso.
Webventure – Qual foi o momento mais difícil pra toda a equipe?
Sabrina – O rafting. A gente entrou de dia, conseguimos fazer duas corredeiras muito bem, mas depois escureceu e todos ficaram bem tensos. Respiramos fundo e conseguimos, cada hora um caía na água pra tirar o bote… aquele foi o momento de mais difícil entendimento.
Webventure – E você foi uma das mulheres que demonstrou mais garra na corrida toda…
Sabrina – Olha, não é fácil ser mulher em corrida de aventura. A gente fica sem tomar banho, termina cheia de espinhos, assaduras… E os homens são anatomicamente, biologicamente mais preparados pra isso, então eles se empolgam e querem descer a trilha correndo. A gente tem de ir junto, senão fica pra trás. Até agora eu não sei porque continuo fazendo isso… acho que gosto muito.
Webventure – O nosso comentarista Júlio Pieroni destacou a constância da Lontra em todo este ano e que vocês aprenderam a fazer provas longas. Você concorda?
Sabrina – Concordo. O problema é que no Brasil não temos muitas provas longas, eles (os estrangeiros), estão dez, oito na nossa frente. Mas a gente está treinando mais pra isso.
Webventure – Quando é que o Brasil vai ganhar a EMA?
Sabrina – Quando houver incentivo do governo, das empresas. Temos muito potencial, excelentes atletas, pessoas que convivem com a natureza e amam o esporte.
Webventure – Deixe uma mensagem pra torcida da Lontra Radical, que mandou e-mails pelo nosso Muro de Recados.
Sabrina – Puxa, eu só pensava nisso durante os momentos mais difíceis, as subidas de 4 horas em que doíam pernas, costas. Quero agradecer à minha mãe, ao Rafael… um pessoal enorme que me deu muita força. Na hora em que eu estava na roubada, passando fome, no frio, no escuro, essas palavras me davam força para continuar..
A Webventure realiza a cobertura on line e oficial da EMA 2000 com apoio de Ford, Timberland e By.
Este texto foi escrito por: Luciana de Oliveira
Last modified: outubro 28, 2000